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MÓDULO VI
Introdução
Ofidismo
Ofidismo: acidente botrópico
Ofidismo: acidente laquético
Ofidismo: acidente crotálico
Ofidismo: acidente elapídico
Ofidismo: acidente por serpentes não peçonhentas
Escorpianismo
Araneísmo
Acidente por Phoneutria Acidente por Loxosceles Acidentes por Latrodectus Aranhas não venenosas
Envenenamento por Lepdoptera
Acidente por megalopygidae Acidente por saturniidae
Acidentes por hymenoptera
Acidente por formigas Acidentes por coleoptera
Princípios de soroterapia
Envenenamento por Animais Peçonhentos
 


Hylesia sp

Lepidópteros do gênero Hylesia podem causar acidentes tanto na fase larval (lagarta) como na fase adulta. Neste caso os acidentes ocorrem porque as mariposas fêmeas desse gênero possuem cerdas microscópicas no abdômen que causam dermatite quando em contato com a pele humana.
Essas mariposas provocam surtos epidêmicos em áreas rurais, principalmente nos meses quentes e chuvosos.
Além do trauma mecânico, a presença de histamina nas espículas provavelmente está relacionada à dermatite decorrente desses acidentes.
Após o contato com as cerdas, surgem lesões papulares e pruriginosas na pele. Eventualmente, quando a região ocular é atingida pode ocorrer ceratite e irite.
O tratamento é realizado com antihistamínico e compressas frias.

Lonomia sp

Até a década de 1980, os acidentes por Lonomia eram raramente registrados no Brasil, quando foram descritos algumas dezenas de casos na Região Amazônica. A partir de 1989, houve um significativo aumento desse agravo, especialmente na Região Sul do país.

Ação do veneno

O veneno de Lonomia tem atividade procoagulante. Ativando fator X e protrombina promove consumo dos fatores de coagulação e conseqüente incoagulabidade. Também é descrita ação hemolítica.

Quadro Clínico

Acidentes por Lonomia podem evoluir com manifestações sistêmicas, além das locais.
Alterações Locais: o quadro local é semelhante ao causado por larvas de outros lepidópteros
Alterações Sistêmicas: alguns pacientes podem evoluir com alteração da coagulação associadas ou não a manifestações hemorrágicas. As mais freqüentemente observadas são gengivorragia e equimoses ou hematomas de aparecimento espontâneo ou provocados por traumatismo/ venopunção. Outros sangramentos como hematúria, hematêmese, hemorragia pulmonar, abdominal e cerebral podem ocorrer. Chama a atenção a presença de queixas inespecíficas, como cefaléia, mal estar, náuseas e dor abdominal nos pacientes que evoluem com quadro sistêmico.

Complicação

Insuficiência renal aguda pode evoluir como complicação na forma sistêmica dos acidentes por Lonomia. Hemorragias podem ser suficientemente graves e resultar em óbito.

Exames complementares

Nos casos com quadro sistêmico, podem ser observadas alterações dos testes de coagulação como: TC alterado (parcial ou incoagulável), TP e TTPA alargados, consumo de fibrinogênio, aumento de produtos de degradação do fibrinogênio/fibrina (PDF) e dímeros-D. Plaquetopenia pode ocorrer.
Uréia e creatinina podem estar alteradas, na presença de comprometimento da função renal.

Tomografia computadorizada de crânio para detecção de eventual sangramento intracraniano pode ser necessária caso o paciente apresente torpor, rebaixamento do nível de consciência ou coma.

Tratamento

A conduta para as manifestações locais é a mesma que a empregada em acidentes por megalopigídeos.
Nos casos que evoluem com coagulopatia, com ou sem sangramento, está indicado o uso de Soro Antilonômico, cuja dose depende da gravidade (Tabela 7)


Primeiros Socorros

  • Lavar imediatamente a área afetada com água e sabão;
  • Fazer compressas com gelo ou água gelada para auxiliar no controle da dor
  • Procurar o serviço médico mais próximo;
  • Se possível, levar o animal para identificação.
Prevenção
  • Afastar-se de luminárias, principalmente com lâmpadas de mercúrio e fluorescente quando ocorrer surtos de Hylesia.
  • Cuidado na manipulação de troncos de árvores frutíferas e jardinagem
  • Usar luvas de borracha ao trabalhar em contato com plantas


Tabela - Classificação de gravidade e doses de soro no tratamento do envenenamento por Lonomia.

Gravidade
Manifestações Clínico-laboratoriais
Tratamento
Leve Quadro local apenas, sem sangramento ou distúrbio na coagulação Sintomático
Moderado Quadro local presente ou não, presença de distúrbio na coagulação, sangramento em pele e/ou mucosas Sintomático
5 ampolas de SALon*
Grave Independente do quadro local, presença de sangramento em vísceras ou complicações com risco de morte ao paciente Sintomático
10 ampolas de SALon*

*SALon: Soro Antilonômico


 
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