| MÓDULO
VI |
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Envenenamento por animais peçonhentos |
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| Características
epidemiológicas |
Representam 29% dos casos de araneísmo
notificados no país, predominando os registros
nos Estados do Sul e Sudeste.
Os acidentes predominam nos meses de abril e maio, provavelmente
relacionados à época de acasalamento dessas
aranhas. As regiões anatômicas mais freqüentemente
acometidas são as mãos e os pés,
e os acidentes ocorrem especialmente em circunstâncias
como calçar, limpeza de quintal, jardim, ao manusear
legumes, verduras e frutas, principalmente bananas.
É popularmente conhecida como “aranha-armadeira”
ou “aranha-da-banana”. Quando ameaçadas,
assumem posição característica de
“defesa armada”, elevando os pares de patas
anteriores. Seu corpo é coberto por pequenos pêlos
de cor cinza ou marrom e pode atingir 4cm de comprimento,
e com as patas estendidas até 15cm. Essas aranhas
têm hábitos noturnos, sendo encontradas em
cachos de banana, palmeiras, debaixo de troncos caídos,
pilhas de madeira e entulhos. As principais espécies
encontradas no Brasil são Phoneutria nigriventer,
P. keyserlingi, P. fera e P. reidyi.
A Phoneutriatoxina 2 (PhTx2), principal
fração tóxica do veneno de P. nigriventer
provavelmente é a responsável pelas alterações
observadas nos acidentes. Devido a sua ação
sobre os canais de sódio, despolariza terminações
nervosas sensitivas no local da inoculação
do veneno e mais raramente do sistema nervoso autônomo,
com liberação de neurotransmissores (catecolaminas
e acetilcolina) relacionados ao quadro sistêmico.
Também é descrita despolarização
de fibras musculares esqueléticas que, no entanto,
tem escassa repercussão no acidente humano.
Alterações Locais
A dor imediata é o sintoma mais
freqüente, podendo ser de forte intensidade e irradiar-se
até a raiz do membro afetado. Outras manifestações,
como edema e eritema também são comuns e
a sudorese também pode ser observada no local da
picada.
Alterações Sistêmicas
Raramente, além do quadro local,
ocorrem manifestações sistêmicas como
vômitos, sudorese, hipertensão arterial,
priapismo, bradicardia, hipotensão arterial, arritmias,
insuficiência cardíaca, edema agudo do pulmão,
convulsões e coma. A classificação
quanto a gravidade está relacionada a presença
e intensidade desses sinais e sintomas.
As alterações sistêmicas, quando ocorrem,
são mais freqüentes em crianças.
Em casos graves há relato de leucocitose
com neutrofilia, hiperglicemia e acidose metabólica.
Primeiros socorros
- Compressa morna no local da picada
- Procurar o serviço médico
mais próximo;
- Se possível, levar o animal
para identificação.
Geral
Na ausência
de manifestações sistêmicas, o tratamento
é sintomático, o que ocorre na maioria dos
acidentes. O tratamento da dor local é o mesmo
já descrito para o controle da dor no acidente
escorpiônico. Pode ser utilizado bloqueio ou infiltração
local com anestésico do tipo lidocaína 2%,
sem vasoconstrictor, 2 a 4mL. Quando a dor persiste a
despeito da administração de anestésicos,
analgésicos opióides estão indicados.
Nos casos em que a dor não é intensa, analgésicos
orais e compressas mornas no local podem ser suficientes.
Específico
A soroterapia é indicada nos casos
com manifestações sistêmicas em crianças
e em todos os casos graves. A dose do antiveneno varia
com a gravidade do quadro (Tabela 4).
Classificação quanto à
gravidade nos acidentes por aranhas do gênero Phoneutria
e propostas de tratamento.
Classificação |
Manisfetações
Clínicas |
Tratamento Inespecífico |
Tratamento Específico |
| Leve |
Quadro local apenas:
Dor, edema, eritema, sudorese
|
Observação clínica
Anestésico local e/ou analgésico
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- |
| Moderado |
Quadro local associado a:
Sudorese, vômitos ocasionais, agitação,
hipertensão arterial
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Internação hospitalar
Anestésico local e/ou analgésico
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2-4 ampolas de SAAr |
| Grave |
Além das manifestações acima:
Sudorese profusa, priapismo, vômitos freqüentes,
arritmia, choque, edema agudo de pulmão |
Internação em Unidade de Terapia Intensiva |
5-10 ampolas de SAAr |
SAAr: Soro Anti-aracnídico.
Fonte: Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes
por Animais Peçonhentos, Ministério da Saúde,
1998.
- Evitar folhagens densas junto a paredes
e muros das casas; manter a grama aparada;
- Vedar frestas e buracos em paredes
e assoalhos; colocar saquinhos de areia nas portas e
telas nas janelas;
- Inspecionar sapatos, tênis e botas
antes de calçá-los.

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