| MÓDULO VI |
|
| Envenenamento por Animais Peçonhentos |
| |

Pertencem à ordem Hymenoptera
os insetos como as abelhas, vespas e formigas. Apresentam
um aparelho inoculador de veneno (o ferrão), capaz
de causar acidentes de importância médica.
| Acidentes
por abelhas e vespas |
Os acidentes são freqüentes
e, em geral, têm curso benigno. Entretanto pacientes
com hipersensibilidade intensa ou sob “ataques”
maciços por estes insetos, geralmente abelhas,
podem evoluir com quadros graves.
A freqüência de casos fatais provocados por
ataques maciços de abelhas aumentou a partir da
década de 1960, devido à introdução,
em 1956 no Brasil, de rainhas puras de abelhas “africanas”,
que acidentalmente escaparam de um apiário. Posteriormente
houve rápida expansão das abelhas africanizadas
pelo continente americano.
A composição e o modo de
ação do veneno das abelhas melíferas
são os mais estudados. Esse veneno é composto
por uma mistura complexa de aminas biogênicas, peptídeos
e enzimas, com diversas atividades farmacológicas
e alergênicas.
As fosfolipases, associada à melitina atuam sobre
as membranas celulares, levando a sua ruptura, com conseqüente
lise celular. O peptídeo degranulador de mastócitos
(PDM), principal responsável pela liberação
de mediadores de mastócitos e basófilos,
como a histamina e a serotonina, desempenham papel no
“quadro de hipersensibilidade aguda” observada
nas fases iniciais do acidente.
O quadro clínico pode ser de natureza
alérgica ou tóxica
Pode ocorrer apenas alterações
no local da picada e em área contígua, que
se manifesta por edema, eritema, prurido e dor. Esse quadro
pode progredir nas 48 horas seguintes. Em menos de 1%
da população exposta, ocorrem reações
de hipersensibilidade imediata sistêmica, que, em
geral, surgem poucos minutos após a picada. Neste
caso, o paciente pode apresentar, por exemplo, tontura,
desmaio, urticária, exantema, vômitos, cólicas
abdominais, diarréia, broncoespasmo, edema de glote,
hipotensão, choque e infarto agudo do miocárdio.
Pode ser dividido em local e sistêmico:
- Local: há dor,
eritema e edema no local das picadas, que persistem
por algumas horas.
- Sistêmico: Este
quadro ocorre nos acidentes por múltiplas picadas,
em geral acima de 100. Devido ao grande número
de picadas, há liberação maciça
de mediadores, como a histamina, com manifestações
semelhantes às observadas nas reações
graves de hipersensibilidade.
Pode ocorrer rabdomiólise, hemólise, arritmias
cardíacas, lesão miocárdica, lesão
hepática, convulsão e o paciente pode
evoluir com insuficiência renal aguda, síndrome
do desconforto respiratório e CIVD (coagulação
intravascular disseminada).
No quadro tóxico, pode ser observado
leucocitose com neutrofilia, alterações
relacionadas a rabdomiólise como elevação
de CPK, AST e DHL; anemia, reticulocitose, aumento de
bilirrubina indireta e diminuição dos níveis
séricos de haptoglobina livre em conseqüência
da hemólise. Pode haver alteração
de enzimas que traduzem lesão hepática (ALT,
AST). Pacientes com evolução para insuficiência
renal aguda e/ ou síndrome do desconforto respiratório
agudo apresentam alterações laboratoriais
associadas a essas complicações. Em quadros
graves os testes de coagulação podem apresentar
anormalidades compatíveis com CIVD.
Os ferrões devem ser removidos o
mais rapidamente possível. Estudos demonstram que
praticamente todo o conteúdo da glândula
de veneno é liberado dentro de 1 minuto após
a picada, recomendando-se que este procedimento seja realizado
imediatamente após o acidente. No entanto, em pacientes
admitidos em serviço de saúde mais tardiamente,
os ferrões também devem ser retirados com
cuidado para que não haja compressão das
glândulas contidas nos aguilhões, evitando-se
uma eventual inoculação adicional de veneno
no paciente.
A dor deve ser tratada de acordo com sua intensidade,
utilizando-se desde gelo local a analgésicos sistêmicos.
- Manifestações
Alérgicas: o tratamento das reações
alérgicas vai depender da gravidade dos sintomas
clínicos e não difere do recomendado para
as reações de hipersensibilidade de outras
etiologias.
- Manifestações
Tóxicas: não existe antiveneno
específico para os acidentes por himenópteros.
Portanto, o tratamento é de suporte: administração
de anti-histamínicos, corticosteróides
e analgésicos; hidratação adequada
(para manter bom fluxo rena e facilitar a excreção
de mio e hemoglobina); na presença de IRA a diálise
deve ser instituída precocemente; ventilação
mecânica para pacientes que evoluem com insuficiência
respiratória; correção de distúrbios
da coagulação e de outras anormalidades
eventualmente presentes.
Primeiros socorros
- Em casos de acidentes provocados por
múltiplas picadas de abelhas ou vespas, ou de
pacientes com manifestações de anafilaxia
após poucas picadas, levar o acidentado rapidamente
ao hospital;
- Retirar os ferrões rapidamente.
- Evitar aproximação de
colméias sem estar com vestuários e equipamentos
adequados;
- Evitar aproximação de
locais onde há grande número de vespas
e abelhas;
- Barulhos, perfumes fortes, desodorantes,
cores escuras desencadeiam comportamento agressivo e
conseqüentemente ataque de vespas e abelhas;

|