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MÓDULO VI
Introdução
Ofidismo
Ofidismo: acidente botrópico
Ofidismo: acidente laquético
Ofidismo: acidente crotálico
Ofidismo: acidente elapídico
Ofidismo: acidente por serpentes não peçonhentas
Escorpianismo
Araneísmo
Acidente por Phoneutria Acidente por Loxosceles Acidentes por Latrodectus Aranhas não venenosas
Envenenamento por Lepdoptera
Acidente por megalopygidae Acidente por saturniidae
Acidentes por hymenoptera
Acidente por formigas Acidentes por coleoptera
Princípios de soroterapia
Envenenamento por animais peçonhentos  
   

Características epidemiológicas dos acidentes por escorpiões

Cerca de 34.000 acidentes escorpiônicos foram notificados no ano de 2005, no Brasil, sendo mais freqüentes na região Sudeste (no Estado de Minas Gerais) e Nordeste (especialmente nos estados da Bahia e Pernambuco).
Os acidentes são mais comuns na zona urbana e sua sazonalidade varia em cada região do país. A letalidade nacional situa-se em torno de 0,3%, observando-se um aumento na faixa etária infanto-juvenil.
No Brasil, tem importância médica o gênero Tityus1. As principais espécies relacionadas aos acidentes são T. serrulatus, T. bahiensis, T. stigmurus, T. paraensis e T. metuendus.

Ação do veneno  

Toxinas presentes no veneno dos escorpiões atuam sobre canais de sódio causando despolarização das terminações nervosas sensitivas, motoras e do sistema nervoso autônomo (SNA). A ação sobre as terminações sensitivas causa o quadro doloroso no local da picada. A ação sobre o SNA pode causar liberação maciça de neurotransmissores (adrenalina e acetilcolina), determinando o quadro clínico sistêmico, dependente da predominância dos efeitos adrenérgicos e/ou colinérgicos nos diversos sistemas ou aparelhos do organismo.

Quadro Clínico  

Alterações Locais

A dor no local da picada é o sintoma mais freqüente nesses acidentes. Ocorre logo após a inoculação do veneno e em geral é intensa. Pode haver irradiação para a raiz do membro acometido. Outras manifestações locais incluem parestesia, eritema, sudorese e piloereção.

Alterações Sistêmicas

É mais comum em crianças. Podem ser observados inicialmente, além do quadro local descrito anteriormente, sinais de estimulação adrenérgica que ocorrem precocemente, nas primeiras horas após o acidente, como vômitos, hipertensão arterial, taquicardia, sudorese, tremores. Fasciculações, sialorréia, priapismo, hipotensão arterial, arritmias cardíaca, insuficiência cardíaca e edema agudo de pulmão também são.
Os acidentes podem ser classificados em leves, moderados e graves, baseado na presença e intensidade das manifestações clínicas (Tabela 3)
Os acidentes graves são observados com maior freqüência em crianças e associados a exemplares adultos de T. serrulatus.

Prognóstico  

O prognóstico, nos casos graves, depende fundamentalmente da precocidade no diagnóstico, soroterapia específica e tratamento de suporte adequado.

Exames complementares  

Nos acidentes moderados e graves observa-se leucocitose com neutrofilia, hiperglicemia, hiperamilasemia, hipopotassemia e hiponatremia. Em casos graves a enzima creatinoquinase M e B (CKMB) e a troponina I (proteína altamente específica para o tecido miocárdico) podem estar aumentadas.
Alterações eletrocardiográficas como taquicardia ou bradicardia sinusal, extra-sístoles ventriculares, alterações similares às encontradas no infarto agudo do miocárdio, bloqueio de condução atrioventricular ou intraventricular podem ocorrer.
A radiografia de tórax pode evidenciar alterações compatíveis com o aumento da área cardíaca e edema agudo de pulmão.
Em formas graves o ecocardiograma pode mostrar hipocinesia transitória do septo interventricular e da parede posterior do ventrículo esquerdo.

Tratamento  

Específico

A soroterapia está indicada em pacientes com manifestações sistêmicas, e as doses devem ser administradas de acordo com a gravidade estimada do acidente (Tabela 3).

Geral

Nos casos onde há dor intensa, utilizar infiltração local de anestésico, do tipo lidocaína 2%, sem vasoconstritor, até o máximo de 4mL por aplicação, nos adultos, que poderá ser repetida até um total de 3 vezes, a intervalos de uma hora, dependendo da intensidade da dor. Em crianças deverá ser respeitada a dose máxima por dose. Entretanto, ocasionalmente, pode ser necessário associar analgésicos opióides.
Nos casos em que a dor tem menor intensidade apenas analgésicos orais (ou sistêmicos) e compressas quentes no local podem controlar a dor.

Primeiros socorros
  • Compressa morna no local da picada
  • Procurar o serviço médico mais próximo;
  • Se possível, levar o animal para identificação.
Prevenção  
  • Evitar acúmulo de lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas;
  • Não colocar as mãos em buracos, sob pedras e troncos podres. É comum a presença de escorpiões sob dormentes da linha férrea;
  • Usar telas em ralos do chão, pias ou tanques;
  • Vedar frestas e buracos em paredes e assoalhos; colocar saquinhos de areia nas portas e telas nas janelas;
  • Afastar as camas e berços das paredes; evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão;
  • Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes que possam ser mantidos fechados, para evitar baratas, moscas ou insetos de que se alimentam os escorpiões;
  • Preservar os inimigos naturais dos escorpiões: aves de hábitos noturnos (coruja), galinhas, gansos.

Tabela - Classificação quanto à gravidade dos acidentes por escorpiões e propostas de tratamento.

Classificação
Manifestações Clínicas
Tratamento Inespecífico
Tratamento Específico
Leve Dor, eritema, sudorese, piloereção Observação clínica
Anestésico local e/ou analgésico
-
Moderado Quadro local e uma ou mais manifestações como: náuseas, vômitos, sudorese e sialorréia discretas, agitação, taquipnéia e taquicardia Internação hospitalar
Anestésico local e/ou analgésico
2-3 ampolas de SAAr ou SAEs
  Além das manifestações acima: vômitos profusos e incoercíveis, sudorese e sialorréia intensa, prostração, convulsão, coma, bradicardia, insuficiência cardíaca, edema agudo de pulmão, choque Internação em Unidade de Terapia Intensiva 4-6 ampolas de SAAr ou SAEs

SAAr: Soro Anti-aracnídico. SAEs: Soro Anti-escropiônico. Fonte: Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos, Ministério da Saúde, 1998.


 
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